Obrigações Sociais
Balançando em meio aos movimentos abruptos do ônibus, Henrique tenta manter-se acordado para não perder seu ponto, amparado pela música agitada em seus ouvidos. Este se tornaram seus melhores amigos, especialmente depois de cansar-se dos protocolos sociais, das formalidades superficiais e das conversas sem verdadeiro interesse com pessoas que na verdade não significavam nada em sua vida. Consumido por pensamentos distantes, em mundos inexistentes, ele contempla com olhar vazio a paisagem que passa de forma frenética pela janela do veículo. A sensação do crepúsculo parece intensificar a melancolia de seu viver, tão vazio e solitário. Ainda que
pareça irônico falar de solidão dentro de um ônibus repleto de pessoas, mas para ele essas não passam de peças de mobília animadas, indiferentes, frias e insignificantes. A insignificância de vidas que não constituíam em sua própria qualquer valor, seres que simplesmente respiravam e na verdade não se conectam a ele de qualquer forma. Abraçado a sua mochila ele sente seu ombro se chocar mais uma vez contra a lateral do ônibus, não sabe se a ansiedade que sente é referente a ideia e voltar para o conforto de seu teto ou a aversão de faze-lo. A expectação do lar solitário e mal arrumado, do macarrão instantâneo esquentado para preencher o vazio da fome noturna e da companhia do felino que co-habitava o apartamento. Sim pois dizer-se dono do felino era uma utopia, ele era com certeza a criatura mais sincera com que já convivera, pois não escondia suas intenções e interesses, suas insatisfações e medos. Essa sinceridade, tão desprezada entre os humanos fazia-o o único e verdadeiro amigo a quem ele podia se apegar depois de um dia de trabalho, cercado de pessoas que lhe perguntavam "tudo bem?" por obrigação, lhe lançavam sorrisos imerecidos e trocavam opiniões que não lhes foram pedidas sobre assuntos que não despertavam qualquer interesse. Talvez essa hipocrisia social fizesse da expectativa do "lar" uma dualidade de melancolia e refrigério, lá ele poderia com prazer privar-se das obrigações sociais, ser quer realmente queria ser, por outro lado ao sentar-se em frente ao seu computador não resistiria a tentação de conectar-se as redes sociais. Ali voltaria a praticar a usual hipocrisia, perguntaria sobre a rotina de pessoas com as quais na verdade não se importava, leria e escreveria opiniões sobre assuntos sobre os quais na verdade não quer escrever. Atado pelas correntes das obrigações sociais, demonstraria ter o que na verdade não tem e ser quem na verdade não é.
pareça irônico falar de solidão dentro de um ônibus repleto de pessoas, mas para ele essas não passam de peças de mobília animadas, indiferentes, frias e insignificantes. A insignificância de vidas que não constituíam em sua própria qualquer valor, seres que simplesmente respiravam e na verdade não se conectam a ele de qualquer forma. Abraçado a sua mochila ele sente seu ombro se chocar mais uma vez contra a lateral do ônibus, não sabe se a ansiedade que sente é referente a ideia e voltar para o conforto de seu teto ou a aversão de faze-lo. A expectação do lar solitário e mal arrumado, do macarrão instantâneo esquentado para preencher o vazio da fome noturna e da companhia do felino que co-habitava o apartamento. Sim pois dizer-se dono do felino era uma utopia, ele era com certeza a criatura mais sincera com que já convivera, pois não escondia suas intenções e interesses, suas insatisfações e medos. Essa sinceridade, tão desprezada entre os humanos fazia-o o único e verdadeiro amigo a quem ele podia se apegar depois de um dia de trabalho, cercado de pessoas que lhe perguntavam "tudo bem?" por obrigação, lhe lançavam sorrisos imerecidos e trocavam opiniões que não lhes foram pedidas sobre assuntos que não despertavam qualquer interesse. Talvez essa hipocrisia social fizesse da expectativa do "lar" uma dualidade de melancolia e refrigério, lá ele poderia com prazer privar-se das obrigações sociais, ser quer realmente queria ser, por outro lado ao sentar-se em frente ao seu computador não resistiria a tentação de conectar-se as redes sociais. Ali voltaria a praticar a usual hipocrisia, perguntaria sobre a rotina de pessoas com as quais na verdade não se importava, leria e escreveria opiniões sobre assuntos sobre os quais na verdade não quer escrever. Atado pelas correntes das obrigações sociais, demonstraria ter o que na verdade não tem e ser quem na verdade não é.
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