Por que CyberHiperestesia?
A sociedade humana do século XXI vive um período inigualável no contexto tecnológico, em especial no segmento das telecomunicações. As barreiras geográficas foram transcendidas graças a essas tecnologias, e a sociedade humana em seus vários níveis, muitas vezes limitada a questões regionais, hoje vive uma imersão num contexto global. Essa imersão promoveu mudanças na própria estrutura da sociedade humana, conforme Castells[1] tornando-a a denominada "sociedade em rede". Esta sociedade de cultura volátil e fortemente midiática possui inúmeras características intimamente ligadas a miríade de informações as quais os indivíduos que a compõe estão expostos diariamente.
Dentro do contexto social e tecnológico, a razão da escolha deste nome esta intimamente ligada a raiz etimológica da palavra hiperestesia e seu emprego nas ciências biológicas. Segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa[2] a palavra hiperestesia deriva-se da aglutinação do prefixo grego hyper(acentuado, demasiado) com a palavra estesia(sensação, percepção), logo hiperestesia tem por significado o aumento de sensibilidade ou estímulos, ao ponto de causar desconforto e até mesmo dor. Esta palavra é utilizada para descrever o efeito colateral característico de algumas toxinas, em especial aquelas inoculadas por animais peçonhentos. A escolha deste termo não é com intuito de explorar discussões sobre patologias pertinentes ao ramo da biologia, muito menos ao medicina, apenas fazer analogia deste termo próprio da área de biológicas com aspectos do meio-ambiente digital. O ser humano é hoje exposto a uma infinidade de tecnologias, sem que para isso tenha de ter alcançado maturidade nos diversos aspectos de sua existência. Esse estado de superexposição o lava a um estado similar ao enfrentado pelas vítimas das neurotoxinas supracitadas, sobrecarregado de informações ele se vê desnorteado e até muitas vezes angustiado frente a realidade. Nesta reflexão do ser que sofre os efeitos colaterais surge a ideia da "CyberHiperestesia", ou seja hiperestesia fruto da intoxicação tecnológica.
Diferente do que possa parecer o intuito deste blog não é limitar-se a críticas negativas a tecnologia, antes procurar discutir os efeitos dessa sobre os seres humanos, explorando características, comportamento e tendências.
REFERÊNCIAS:
[1] CASTELLS, Manuel. A Sociedade Em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
[2] CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.

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